Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA20 - Eixo 1 - Política Ambiental e Saúde na Amazônia (TODOS OS DIAS)

32525 - POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES OBSERVADAS DURANTE O TRABALHO VOLUNTÁRIO MÉDICO E BUCAL NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
MARIANA GABRIELA APOLINÁRIO MIAN - CEUCLAR


Resumo
Estudo realizado durante os atendimentos médicos e odontológicos na Missão Amazônia, nas aldeias Simão, Umirituba e Ponta Alegre, onde vivem os indígenas da etnia Sateré-Mawé, na Terra Indígena Andirá-Marau. Foram orientados a ferver a água consumida e a preparem o soro caseiro, a importância da higiene bucal e do resgate a alimentação local.
Na Aldeia Ponta Alegre, a existência da Unidade de Atenção à Saúde Indígena possibilita as crianças em risco nutricional tenham acesso a benefícios sociais ao cumprir as normas do SISVAN.
As principais queixas pediátricas foram dermatites, verminoses, diarreias e a presença de cáries. São comuns gravidezes na adolescência. Os partos acontecem na cidade de Parintins e as índias relatam temer a realização de cesárias. Havia gêneros alimentícios ultra processados como balas, refrigerantes e achocolatado nos comércios locais, comumente consumidos entre as crianças.
Evidencia-se a importância do trabalho voluntário na Amazônia para suprir as dificuldades logísticas e ausência de novas Unidades de Atenção à Saúde Indígena; Barreiras comprometem o vínculo e a assistência prestada. Observa-se ainda a ineficácia na cobertura vacinal e falta orientação jurídica a essas populações. São necessárias iniciativas governamentais para a realização dos partos nas próprias aldeias, como também campanhas de saúde desenvolvidas na linguagem Sateré-Mawé.


Introdução
Estudo realizado durante a segunda Missão Amazônia, nas aldeias Simão, Umirituba e Ponta Alegre, onde vivem os indígenas da etnia Sateré-Mawé, na Terra Indígena Andirá-Marau, referenciadas pelos municípios de Parintins e Barreirinha, região administrativa do Baixo Amazonas, organizada pela UNIVIDA – Universitários em Defesa da Vida, , pertencente da Pastoral Universitária da Diocese de Jales/SP, da Igreja Católica. A organização selecionou 34 profissionais e 59 universitários os quais, após prévias autorizações da Secretaria de Saúde local e dos representantes indígenas, 34 profissionais e 59 universitários prestaram atendimento médico e bucal nessas aldeias e populações de comunidades ribeirinhas vizinhas. As principais queixas pediátricas foram dermatites, verminoses, diarreias e a presença de cáries. Foi observado a ocorrência de dentes perdidos e doença periodontal. Ou Seja, as condições refletem a situação da população indígena e ribeirinha esquecida
Durante os atendimentos foi enfatizado a importância da adesão a vacinação e a higiene bucal, e do resgate a alimentação local, a mais natural possível e variada. Foram orientados a ferver a água consumida e a preparem o soro caseiro.


Objetivos
Foram realizadas ações preventivas, ações educativas de caráter recreativo, atividades religiosas, palestras de educação socioambiental, atividades de aculturação, dentre elas, os voluntários foram convidados a assistir ao Ritual da Tucandeira.

Metodologia
As observações e comunicação com as pessoas pertencentes a etnia Sateré-Mawé foram realizadas durante os atendimentos nas Aldeias Simão, Umirituba e Ponta Alegre, como também nas visitas domiciliares.
Foi prestado o atendimento médico bucal e reforçada a importância a adesão as campanhas de saúde existentes, como a da vacinação, uma vez que observamos a ineficácia na cobertura vacinal atendemos jovem com sequela de meningite.
A principal fragilidade observada durante os atendimentos na Aldeia Simão foi a barreira linguística como quebra da autonomia do paciente indígena, uma vez que estas mulheres e crianças dependiam da tradução, pelos pais e esposos, para as suas queixas de saúde. A existência de barreiras comunicativas entre os serviços de saúde e o paciente indígena. Estas, comprometem o vínculo e a assistência prestada que poderiam ser amenizadas se houvessem campanhas de saúde desenvolvidas na linguagem Sateré-Mawé.


Resultados e Discussão
Parte do patrimônio imaterial da etnia e elemento de identidade Sateré- Mawé é o Ritual da Tucandeira, conhecido como Waumat realizado pelos meninos e preconizava a quarentena na chegada da menarca para a menina Sateré: a partir da menstruação, a garota tornar-se-ia mulher, propensa a casar, muitas vezes os casamentos eram arranjados, e, a ter filhos.
No momento da visita a mãe do atual Tuxaua, já foi a principal parteira da aldeia Ponta Alegre e hoje jubilada da função, relatou a perda dessa tradição do isolamento pelas famílias. Afirmou ainda o uso de absorvente pelas mulheres indígenas, adquirido em Barreirinha e encontrados no comércio local. Se diz consciente da ausência de orientação familiar quanto a sexualidade e acrescentou que tampouco fala-se abertamente sobre direitos sexuais reprodutivos ou doenças sexualmente transmissíveis. Gravidezes na adolescência também são comuns na tribo Sateré-Mawé. Soma-se ainda ao seu discurso o fato de hoje os partos desta população acontecerem na cidade de Parintins: Durante as visitas, outras senhoras também relataram temer a realização de cesárias, algo injustificável na tradição indígena.


Conclusões / Considerações finais
Evidencia-se a importância do trabalho voluntário na Amazônia para suprir as dificuldades logísticas. O público mais afetado são as crianças indígenas.
Observou-se nas casas e nos comércios locais a presença de gêneros alimentícios ultra processados como parte da alimentação: Balas, refrigerantes e achocolatado são comumente consumidos entre as crianças. Cabe o resgate a alimentação tradicional indígena e orientação adequada para melhor saúde bucal.
São também necessárias novas Unidades de Atenção à Saúde Indígena; Eficácia na cobertura vacinal; Maior orientação jurídica a essas populações como também iniciativas governamentais para a realização dos partos nas próprias aldeias , como também campanhas de saúde desenvolvidas na linguagem Sateré-Mawé.


Referências
1. ARANTES, R. Saúde bucal dos povos indígenas no Brasil: panorama atual e perspectivas. In: Coimbra Jr. CEA, Santos RV, Escobar AL, organizadores. Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz/ABRASCO; 2003. p. 49-72.
2. ARAÚJO, Wagner dos Reis Marques. TORRES. Iraildes Caldas. Trabalho e gênero na comunidade Sateré- Mawé I´Nhaã-bé EM Manaus,AM. Fazendo Gênero 9. Diásporas, Diversidades, Deslocamentos. 23 a 26 de agosto de 2010.
3. BOTELHO, João Bosco; WEIGEL, Valéria Augusta C.M.. Comunidade sateré-mawé Y‘Apyrehyt: ritual e saúde na periferia urbana de Manaus. Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro , v. 18, n. 3, p. 723-744, Sept. 2011..
4. 2°. Missão Amazônia. UNIVIDA. Associação humanitária universitários em defesa da vida. Access on 28 Jan. 2020. https://www.univida.org.br/amazonia2020

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