Sessão Assíncrona

23/03/2021 - 09:00 - 18:00
SA41 - Eixo 5 - Gestão e DCNT (TODOS OS DIAS)

32459 - PREVALÊNCIA DE DIABETES MELLITUS E SUAS COMPLICAÇÕES E CARACTERIZAÇÃO DAS LACUNAS NO CUIDADO A PARTIR DA TRIANGULAÇÃO DE PESQUISAS
JESSICA MUZY RPDRIGUES - ENSP/FIOCRUZ, MONICA RODRIGUES CAMPOS - ENSP/FIOCRUZ, ISABEL EMMERICK - NÚCLEO DE ESTUDOS DE CARGA DE DOENÇA NO BRASIL, ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA, FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. RIO DE JANEIRO., JOYCE MENDES DE ANDRADE SCHRAMM - ENSP/FIOCRUZ, RAULINO SABINO AS SILVA - NÚCLEO DE ESTUDOS DE CARGA DE DOENÇA NO BRASIL, ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA, FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. RIO DE JANEIRO.


Resumo
O DM é uma das doenças mundialmente mais prevalentes em adultos e está entre as principais causas de perda de anos de vida saudável, o que se agrava com o acelerado envelhecimento populacional no Brasil. Este estudo visa dimensionar o problema do DM e suas complicações e caracterizar a atenção à saúde do diabético no Brasil, segundo regiões. As prevalências foram estimadas utilizando modelo de regressão multinomial e a caracterização da assistência se deu a partir da triangulação entre a PNS, o PMAQ-AB e dados da Farmácia Popular. A prevalência de DM no Brasil foi de 10%, pelo modelo multinomial, e 6,2% na PNS. A insuficiente realização de exame de fundo de olho (40%), com ampla variação regional (NO 25% - SE 52%), se reflete na alta prevalência de retinopatia. O exame dos pés apresentou baixa realização (30%), podendo levar à amputação. Mais de 80% dos diabéticos usava medicamentos, o que indica uma alta parcela ainda sem tratamento. Deficiências na atenção à saúde do diabético levam a maior morbidade, internações (15%) e idas a emergências (27%-PMAQ). O cenário apresentado em 2012, apesar de não ser ideal, se deu num contexto de fortalecimento do SUS. Com a crescente prevalência de DM e os cortes no investimento em saúde pública, cabe a reflexão sobre o controle da doença nos próximos anos.

Introdução
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica que afeta cerca de 3% da população mundial, com prospecto de aumento até 20301. A nível nacional, o DM também é reconhecido como um importante problema de saúde pública. Em 2008, a prevalência da doença no Brasil era de 7,5%2 e em 2013, de 6,2%. Além disso, o DM provoca uma série de complicações crônicas como: neuropatia, retinopatia, cegueira, pé diabético, amputações e nefropatia.
A alta prevalência de DM e suas complicações apontam a necessidade de investimentos na prevenção e controle da doença, além da efetividade dos cuidados longitudinais2. No Brasil há uma linha de cuidado para o paciente com DM, que visa fortalecer e qualificar a atenção à pessoa com esta doença por meio da integralidade e da longitudinalidade do cuidado, em todos os níveis atenção3. O acesso a medicamentos é outro fator central para o controle do DM. Em 2011, cerca de 80% dos diabéticos fazia uso de medicamentos para controle da doença e destes, mais da metade os obtinha em Unidades de Saúde ou Farmácia Popular4. O uso de informações em saúde é fundamental para desenvolver ações e estratégias buscando melhora das condições de vida no país.


Objetivos
Este estudo tem como objetivo dimensionar o problema do Diabetes Mellitus e suas complicações e caracterizar atenção à saúde da pessoa diabética no Brasil, segundo regiões.

Metodologia
Estimou-se para Brasil e macrorregiões, as prevalências de DM tipo 2 e de suas complicações crônicas: neuropatia, retinopatia e cegueira e a incidência de pé diabético, amputações e nefropatia, utilizando as definições de Lopez (2006)5. A prevalência de DM tipo 2 foi estimada, considerando a associação entre o IMC e a prevalência da doença nos casos de sobrepeso e obesidade6. Utilizou-se os dados de IMC da PNS (2013), segundo UFs, para obter o modelo final. Os detalhes metodológicos do modelo multinomial encontram-se no anexo 2 do Diário de Bordo do cálculo da Carga Global De Doença7.
Para descrever o perfil dos diabéticos e caracterizar a assistência, foram utilizadas a PNS-2013, PMAQ-AB de 2012 e dados do Programa de Farmácia Popular (FP) - 2012. Quanto aos dados do FP, utilizou-se os bancos do projeto ”Impact of consecutive subsidies policies on access to and use of medicines in Brazil” (ISAUM-BR), do ano de 2012, mantendo-se os critérios de elegibilidade originais.


Resultados e Discussão
A prevalência do DM tipo 2 foi estimada em 10% para Brasil, segundo modelo. A prevalência da PNS (6,2%) é quase metade, o que pode estar relacionado à subnotificação de aproximadamente 50% na morbidade autorreferida. A neuropatia (presente em 4,3% dos brasileiros) e a retinopatia (2,5%) foram as complicações do DM mais prevalentes, similar a outros países8.
Os exames de menor complexidade tiveram sua realização referida em alto grau. Porém, a execução de exames de fundo de olho e dos pés foi baixa (cerca de 50%). A má qualidade da atenção, realização de exames e problemas no acesso aos serviços resultam em no aumento complicações e em maior contingente de internações (15% - PNS) e idas a emergências (27%-PMAQ)9.
A proporção de indivíduos que estavam em tratamento medicamentoso foi acima de 80% na PNS e no PMAQ. A participação da FPRP no fornecimento de medicamentos para diabetes é de 7,3%, com uma ampla variação regional.


Conclusões / Considerações finais
O cenário aqui exposto foi investigado em 2012, em contexto de fortalecimento expressivo da APS em franca expansão, investimento em RH e em infraestrutura. O que esperar então no cenário de contração da AB e contenção de investimentos governamentais em saúde? A EC95/2016 determinou o congelamento dos investimentos em saúde por 20 anos, o que poderá implicar na redução do acesso a bens e serviços de saúde por parte de populações mais empobrecidas. A literatura aponta diversos efeitos das políticas de austeridade na saúde, inclusive quanto ao aumento da incidência de diabetes e de suas complicações10.
No cenário de redução de investimentos em saúde, espera-se o crescimento da carga de morbimortalidade, aumento da incidência de complicações, implicando em elevada demanda para procedimentos mais complexos e mortalidade prematura. Além disso, evidenciam-se os gastos crescentes com a maior demanda de tratamento de alta complexidade e internações.


Referências
1Guariguata L. et al. Global estimates of diabetes prevalence for 2013 and projections for 2035. Res Clin Pract. 2014
2Flor L, Campos M. Prev. de DM e fatores associados na pop. adulta brasileira. Rev Bras Epidemiol. 2017
3MS. Estratégias Para o Cuidado Da Pessoa Com Doença Crônica: DM. Brasília, 2013
4Costa K et al. Fontes de obtenção de medicamentos para HTN e DM no Brasil, 2011. Cad S Publ. 2016
5Lopez A et al. Global Burden of Disease and Risk Factors. Oxford, 2006
6Oliveira J et al. Diretrizes Da Soc. Bras.de Diabetes 2017-2018. 2017
7Flor L et al. Cálculo das Estimativas de YLD Para DM e Suas Compl.Crôn, 2018.
8Kaveeshwar S, Cornwall J. The current state of DM in India. Aus Med. 2014
9Freitas P et al. Uso de serviços de saúde e de medicamentos por portadores de Hipertensão e Diabetes no Município do Rio de Janeiro. C. Saúde Col. 2018
10Karanikolos M et al. Effects of the Global Financial Crisis on Health in High-Income Oecd Countries. 2016

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