Comunicação Oral

24/03/2021 - 11:15 - 12:45
CC19 - Eixo 4.1 - Atenção Básica, gestão da clínica e integralidade

32435 - PERCEPÇÃO DAS EQUIPES DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE NITERÓI/RJ NO CUIDADO AOS PACIENTES HIPERTENSOS EM REABILITAÇÃO POR ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)
CAIO EDUARDO TEIXEIRA DA SILVA SOUSA - UFF, FABIANO TONACO BORGES - UFF, HEIDRUN STURM - FACULTY OF MEDICINE TÜBINGEN, FABIANA DE GUSMÃO CUNTO HEEREN MACEDO - UFF, PATRÍCIA DAFLON VILAS BOAS AUGUSTO - UFF, MARIANNA ARAUJO GUANABARINO - UFF, MYLENA ZUIM SANSON - UFF, FERNANDA MOLEZINI BARBOSA - UFF


Resumo
Este estudo faz parte de uma pesquisa multicêntrica transnacional que tem como tema “A coordenação do cuidado na Atenção Primária em Saúde nas cidades de Niterói/RJ e Campinas/SP”, como campo do projeto “InCept - Patients perceptions of primary healthcare provision with respect to access and continuity: an international comparison of different health systems”. Além do Brasil, participam como campos de estudo os seguintes países: Alemanha, Jersey (Grã-Bretanha), Suíça, Suécia e Holanda. O objetivo central é analisar coordenação do cuidado de pacientes com Hipertensão Arterial Sistêmica na APS em reabilitação por AVC pela percepção das equipes de saúde, bem como descrever o discernimento das equipes de saúde sobre a coordenação do cuidado desse perfil de pacientes. Quanto à metodologia, trata-se de um estudo de natureza qualitativa, em que participaram os profissionais da APS de três unidades de saúde de Niterói. sendo mobilizada a técnica de pesquisa do Grupo Focal (GF). Com a análise dos dados ficou nítido que o acesso, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado estão comprometidos por uma política desestruturante da Estratégia de Saúde da Família. Através do estudo foi possível perceber que alcançar a coordenação do cuidado na APS em pacientes hipertensos em reabilitação por AVC é um desafio constante para os profissionais da atenção primária.

Introdução
O aumento da carga de doenças crônicas e o envelhecimento populacional, torna necessário que os pacientes percorram outros níveis de atenção com maior frequência. Isso impõe desafios sobre o sistema único de saúde(SUS), bem como para os profissionais que coordenam o cuidado entre diferentes níveis de atenção. O elemento essencial da coordenação do cuidado é a continuidade, que por sua vez é alcançada por meio do acompanhamento e comunicação centralizada na equipe de saúde. Através dela há uma melhora na prestação de serviços, acesso oportuno, atendimento integral e continuidade da atenção. Entretanto, um dos grandes desafios do SUS é a fragmentação que interfere nas potencialidades da coordenação do cuidado. Para que se possa atingir uma coordenação eficiente e efetiva com uma resposta integral aos problemas dos usuários é preciso além de uma APS robusta, abrangente e fortalecida, práticas integradas entre os profissionais, enfatizando a qualidade dos recursos humanos com a tarefa de acolher, resolver e garantir o acesso.

Objetivos
Devido ao papel central dos profissionais de saúde, os objetivos deste estudo são: analisar a coordenação do cuidado em pacientes hipertensos em reabilitação por Acidente Vascular Cerebral, descrever a percepção das equipes de saúde sobre a coordenação do cuidado desses pacientes, identificar as dificuldades percebidas por estes profissionais e discutir as estratégias utilizadas pelos profissionais que facilitam a coordenação do cuidado.


Metodologia
Estudo de natureza qualitativa, onde foram realizados três grupos focais com equipes de saúde da família, em três unidades do Programa Médico da Família no município de Niterói/RJ em maio e junho de 2019. A população da pesquisa foi composta por 13 profissionais de saúde da Atenção Primária em Saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde) responsáveis pelo cuidado dos pacientes com Hipertensão Arterial Sistêmica em reabilitação por um evento de Acidente Vascular Cerebral. Este grupo focal foi mediado por um roteiro de debates, além disso, todos os participantes assinaram os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido. Ademais, a análise desses dados foi feita através da análise temática de conteúdo com a elaboração de categorias com destaque às regularidades e aos significados atribuídos à experiência de acesso, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado na visão dos profissionais.


Resultados e Discussão
A coordenação do cuidado em usuários em reabilitação por AVC é um grande desafio para os profissionais da APS, e isso acontece devido às dificuldades encontradas pelos usuários como o longo tempo de espera de encaminhamentos e exames, rotatividade dos pacientes no território, pacientes referenciados para locais distantes, desvalorização da APS como porta de entrada e as referências e contra referências. O estabelecimento da manutenção e do fortalecimento do elo entre a comunidade e o serviço de saúde é em boa parte mantida pelo ACS. Em todas as unidades onde se realizou os grupos focais o quadro de funcionários estava com menor quantidade necessária desses profissionais. A mudança da forma de financiamento da APS também foi sentida, uma vez que há o estabelecimento de metas que acabam sendo difíceis de serem cumpridas, uma vez que equipe opera desfalcada. Apesar dessas dificuldades, os profissionais ainda criam algumas estratégias para superação do modelo que os foi imposto como valorização do papel dos ACS, a utilização de meios informais para prestação de cuidado, gestão compartilhada entre os níveis de atenção e a rede informal complementar como as clínicas populares e rede privada.

Conclusões / Considerações finais
Coordenar o cuidado no atual contexto da saúde o qual estamos inseridos de desmonte do SUS, com medidas de austeridade fiscal e novas formas de financiamento da ESF se torna um desafio constante. Portanto, para que APS se expanda e consiga prover a assistência de qualidade, integral com uma coordenação do cuidado fortalecida é necessário investimentos em serviços, com implantação de um prontuário único em todo o município incluindo os sistemas públicos e privados da saúde, melhora do fluxo de atendimentos com redução das filas de espera e investimentos em recursos humanos, com incentivos aos profissionais deTANAKA, O.Y. Avaliação da atenção básica em saúde: uma nova proposta. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 4, p. 927-934, out./dez. 2011. todos os níveis de saúde, educação em saúde permanente e integração dos profissionais das redes.

Referências
1.ALELUIA, I. R. S. et al. Coordenação do cuidado na atenção primária à saúde: estudo avaliativo em município sede de macrorregião do nordeste brasileiro. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 22, n. 6, p. 1845-1856, jun., 2017.

2.PINHEIRO, R.; MATTOS, R. Construção da Integralidade: cotidiano, saberes, práticas em saúde. 3.ed. Rio de Janeiro: Cepesc/IMS/ Uerj/Abrasco, 2004

3.RESSEL, L. B. et al. O uso do grupo focal em pesquisa qualitativa. Texto e Contexto Enferm. 2008; 17:779-86.

4.STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 726p. 2002

5.TANAKA, O.Y. Avaliação da atenção básica em saúde: uma nova proposta. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 20, n. 4, p. 927-934, out./dez. 2011.

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